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A Incrível Jornada

Hola!

Hoje já faz 2 meses e uma semana que estou vivendo os melhores dias da minha vida em Cádiz. Mas não foi sempre assim. Antes de chegar, fiz uma longuíssima viagem.

Prólogo

Tudo começou no dia 13 de setembro, pela manhã. Meu pai, minha mãe e eu saímos de Jaraguá com destino à Curitiba, onde eu ia pegar o avião pra Guarulhos. Na saída de casa, pra mim, parecia tudo normal, tudo tranquilo, como se eu estivesse indo pra mais um semestre de faculdade em Floripa. Claro, vai nessa. Estava indo pra mais um semestre de aula, sim, mas dessa vez há nem-faço-idéia-e-tenho-preguiça-de-procurar-no-google mil quilômetros de distância.

No caminho, conversas tranquilas, amenas, alguns lembretes de “toma cuidado, não dá confiança pras pessoas” e rápido tira-dúvidas de espanhol. Mais da metade da viagem depois fizemos uma pequena pausa numa dessas paradas de beira de estrada. Tudo normal, até que um encontro bizarro me fez lembrar pra onde mesmo é que eu estava indo. 

“Vê, aquele ali não é o diretor do São Luís? Aquele irmão…”. Parei imediatamente e olhei pra direção que minha mãe estava apontando. Juro pra vocês que, ali, num dia aleatório da semana, do mês, da vida, estava sentado tomando café o diretor do meu ex-colégio, que estudei da primeira série ao segundo ano, Irmão Evilásio. Em seguida, meio sem tempo pra assimilar as coisas e como se o primeiro susto não fosse forte e inesperado o suficiente, me aparece, saindo do banheiro, a coordenadora mais an… exigente de todos os tempos, Vivian. 

Sim, num dia aleatório, mas muito importante, eu encontro pessoas que fizeram parte da minha vida num momento em que todo meu futuro era muito mais incerto do que é agora. Num momento em que esses mesmos do encontro bizarro não acreditavam que eu pudesse chegar tão longe devido ao meu comportamento e notas não tão exemplares. Pois é, acontece que sempre fui fã do velho “esconda a capacidade, espere a oportunidade”, saca?

Depois do choque (e do “What the fuck?!” - uma das melhores expressões criadas pra momentos como esse - se repetir mil vezes na minha cabeça, seguida da nota mental “tenho que contar isso pro Felipe”) voltamos pra nossa viagem.

Inevitável que, depois desse encontro, eu começasse a pensar de verdade no que estava me esperando: cinco meses na Espanha, numa cidade que eu só fui descobrir que existia enquanto buscava por universidades espanholas que tivessem cursos na área de humanas. Cinco meses longe da família e dos amigos. Cinco meses dos quais eu nem podia imaginar como seria um único dia apenas.

Foi aí que caiu a ficha de que a ficha ainda não tinha caído. Eu ainda não sabia, mas aquilo era só o começo. A ficha começava a desenperrar e se dirigia até o ponto no qual teria, fatal e finalmente, que cair.

I

Pra que toda besteirada que está por vir faça sentido e deixe de ser besteirada (tornando-se, então, num conto caipira que narra a primeira vez dos filhos de Severino e Maria andando numa escada rolante de um shopping), preciso confessar algo que me deixava triste toda vez que tocavam no assunto:

Nunca tinha andado de avião.

Pois é. Toda vez que ouvia histórias de viagens, esquema de trocar coisas por milhas, gente chegando atrasada pra fazer check-in, eu sempre me sentia como se nunca tivesse visto o mar. Ou seja que, meu pavor, ao chegar no aeroporto Afonso Pena, foi imenso.

Pavor tranvestido em deslumbramento: Eu poderia viver num aeroporto (e Viktor Navorski manda um “oi” pra Krakhozia). Era tudo grande, lindo e brilhante. Principalmente brilhante. Sei que haveria de ter um cheiro característico, mas era como se não tivesse. Era como se, mesmo com aquela quantidade de gente puxando suas malas todos os dias pra lá e pra cá, o cheiro permanecesse intocado, inexistente, anulando-se atrás das luzes refletidas em cada poro daquele lugar.

Fiz meu primeiro check-in, logo depois de amarrar as fitas coloridas nas alças das minhas malas. Engraçado como a gente tenta fazer de conta que nada daquilo é novidade, que já fizemos isso milhares de vezes. Nunca adimitimos que estamos naquilo pela primeiríssima vez. Pelo menos eu estava com meus pais, que já sabiam como tudo funcionava.

Subimos para o segundo piso, em busca do café-da-manhã. Eu estava tão nervosa que, seja lá o que eu tinha pedido, parecia que levava anos pra descer os poucos centímetros entre minha boca e o estômago. Enfim, a comida desceu. O tempo passou, e a hora, tinha chegado. Hora em que o deslumbramento jogou terra em todo aquele brilho e a realidade me fazia encarar o portão de embarque. 

Últimas palavras trocadas ainda em mesmo continente. Últimos minutos para lembrar aos meus pais o quanto os amo. Últimos minutos que aguentaram as lágrimas antes de cairem (e últimos minutos para as fotos, claro, dando aquele adeus de filha que vai passar um semestre na Europa).

E lá fui eu. Sozinha, pela primeira vez entrando num portão de embarque, seguindo as placas de orientação (é pra direita ou pra esquerda?), recrutando o espírito de independência pra que se apresente ao pelotão de infantaria que, no caso, tinha uma única soldado, baixinha e inexperiente.

Uma das coisas que me ensinaram (não lembro quem ou o quê ou como) era que, em caso de dúvida, pergunte! E como eu levo isso a sério. Não ligo se vão me achar haole, noob ou lesada. É provável que no momento eu esteja sendo mesmo alguma dessas coisas, mas prefiro isso a me perder, a subir no ônibus errado, a comprar um pastel de camarão em vez de o de carne. De modo que, em todos os passos dados desde que passei pelo portão de embarque até o dia em que finalmente abandonei o mapa de Cádiz, fiz perguntas em todos eles.

“Esse é o vôo tal pra Guarulhos né?”, perguntei pro moço que recebia os passageiros do avião. “Sim, Curitiba-Guarulhos, número tal”.

Ok, obrigada. E começando bem, sentei na poltrona, coloquei as malas abaixo do meu banco (depois tirando e colocando abaixo do banco da frente), esperei pelo momento mais temido e esperado da viagem: a decolagem.

(continua no próximo post)

Um mês

Um mês em Cádiz. Um mês fora do país. Fora do mapa conhecido, fora da memória de rostos ainda por conhecer. Fora do lugar, da casinha, fora da rede se você quiser. Fora, mas não “fôra”, porque ainda é. Está sendo. E ainda é só o começo.

Os costumes, não sei… Me parecem os mesmos. Claro que não exatamente os mesmos, mas os mesmos de seres humanos. Comer, dormir, beber, sair. Mas comer é comer muito. No almoço é primeiro prato, segundo prato, pão, bebida e sobremesa. Sempre. Por isso, o café-da-manha dos comerciais já avisa: coma muita fibra. Sim, fibra pra agüentar, com muito bom humor, um dia longuíssimo. Começa as 8h, hora que o sol decide aparecer, tão sonolento como eu, como se ainda estivesse se acostumando a um novo fuso-horário.

Mas não, é só preguiça mesmo, tão preguiçoso quanto eu. Ao meio-dia almoço? Ainda não, só uma merenda, se o inexistente intervalo entre uma aula e outra permitir. Tudo bem, como na sala, um baguette delicioso de queijo e presunto. Dez minutos depois guardo o resto na bolsa, o professor já ta chegando e eu já vô deixando meu dicionário em cima da mesa. Um aviso, no más, do tipo não-sou-burra-só-não-entendo-teu-espanhol. Mas ok, as 14h45 termina a aula que termina, no papel, as 15h. Ninguém parece ligar (alo vose do Brasil).

Dez minutos até em casa. No caminho, calor do sol, esquentando o frio das sombras pelas calles estreitas, nas quais somente o vento tem preferência. Carro e pedestre dão na mesma, vão na velocidade que podem, espremendo-se ambos ao mesmo tempo, mas um pra direita, outro pra esquerda. Eu sempre vou pela direita. E o vento, frio e verdadeiramente calculista, é o único que pode chegar onde quer na hora que quer. Eu me perco. Ou me perdia. O sol, quente somente quando se atravessa as praças, faz o papel do guia, quando esse precisa lembrar ao grupo de turistas que o caminho certo é aquele mais pra lá. Dispenso o mapa, já sei me virar.


Em casa, almoço. Macarrão com tudo o que há na geladeira. Quase tudo. Manga española e maçã verde eu prefiro deixar pro lanche. Vai ter que ser molho de tomate com ervilha. Ou creme de leite com presunto e ervilha. Ou qualquer coisa com ervilha, sempre ervilha. Não sei bem por que.


Depois, a siesta. Ah, a siesta. Perfeita não fosse o mal estar que me dá. Se durmo, como toda a cidade dorme, acordo enjoada. Achei que era a água, direta da torneira. Achei que fossem minhas pílulas, que tomo todos os dias. Nem uma coisa, nem outra. É a siesta. Ah, a siesta. Seria perfeita não fosse o tédio que dá. Dormir, não posso, passo mal. Sair, tampouco tenho vontade. Tudo fechado. Supermercado vazio. O sol agora está no seu melhor momento, todo todo, lindo e forte colorindo a velhice restaurada e bela dessa cidade surpreendente. O jeito é ir pra praia.

As 16h visto meu bikini tipicamente brasileiro: minúsculo. Mas não o minúsculo do Brasil, minúsculo pra Europa. Te encuentro delante de la catedral”, me avisa Karine pelo celular. ¡Vale!, respondo. No caminho até a praia vai tudo bem, é tudo ótimo. Fotos, fotos, fotos! O sol pede por fotos. Exige fotos! Ok, ok. Fotos, enfim.


O calor já se sente, a água do mar convida. Mas é fria. Fico só na beirada, molhando os pés, enquanto Karine some entre as ondas, fortes demais. Espero até que esteja pronta e começa o melhor: voleibol. Alguns preferem ficar na areia, aproveitando o resto do verão. Uma missão que tem seu valor: voltar pras suas casas no natal causando inveja pros que não tiveram o mesmo prazer.

Alex, eu, Karine, Clement e às vezes Federica nos arriscamos na areia. Manchetes, levantamentos, conduções. Agacha, levanta, pula, cai e se enche de areia. Vôlei de praia deveria ser lei. O bumbum, as pernas e tudo mais agradecem.

Mas o estômago reclama. O sol das 19h, 20h engana, mas a fome avisa que já se passaram três, quatro horas. Hora de voltar. Cansados, esgotados, sujos, molhados. Mas felizes. Demais! Ninguém se importa em repetir que Cádiz é o melhor lugar do mundo. Porque é mesmo, pelo menos para nós, nesse momento, nessa fase da vida.


Pra janta, Federica anuncia o menu. Sendo italiana, o melhor que fazemos é deixar que ela cozinhe. Hehe. Espagueti a carbonara, risotto, várias pastas com vários molhos. Tudo italianamente delicioso. Karine faz a sobremesa: crepe francês com nutella. Como demais. Sempre!

Hora de voltar pra minha casa. Com pressa, porque as 22h30 devo voltar pro pequeno esquenta antes de sair. Tudo pronto. Cerveza, tinto de verano, vodka barata, vinhos de 1 euro. O suficiente pra começar. À meia-noite é hora de ir pro bar. Beber mais? Só se for de graça. E é. Nas ruas, estudantes trabalham como “caçadores” de público pros bares que os empregam. En Le Monde chupitos grátis para usted e todos sus amigos”, “En Umec dos chupitos grátis”. Descontos na cerveja e nos drinks também ajudam a manter o bolso saudável. Os intercambistas agradecem.


Fumaça, galera, muiiita galera. Bares sempre cheios e Nahu é sempre o ponto inicial. Chega de Nahu! Só tem intercambistas. Onde estão os espanhóis? Ninguém sabe. Parecem não se misturar. Tudo bem, alemães, suecos e ingleses são divertidos também. Mas todos se entendem? Não. Ou melhor, sim. A gente dá um jeito. Se não vai com o espanhol, força no inglês. Criamos uma nova língua, a língua erasmus, em que a mímica é sempre bem vinda. Incrível como funciona. Muito melhor que Esperanto.

¿Que hora es? São 3h30. Já? Sim, hora de ir a Umec. A única discoteca (pelo menos que eu tenha visto) da parte antiga da cidade é pequena, mas põe no chinelo qualquer El Divino. Aqui as pessoas se divertem. Aqui, as pessoas se conhecem. Sem frescuras, sem imagem. Somos o que somos simplesmente e apenas. A música agita, é a música do mundo, que todo o mundo conhece. “Pa-panamericano!” Sempre. Lady Gaga, é lei. Rihanna, Usher, e coisas que não sei o nome, mas danço. A gente sempre dança. E vai até o chão. Karine e Marine me acompanham. Quem disse que francesas não sabem dançar? Essas sabem, e eu ajudo. Chão, chão, chão! Todo mundo! Rory não pode mais, só quando ta bêbado. Irlandês não pode correr o risco de parecer gay, afinal de contas. Tudo bem, Hugo e Clement fazem sua parte. Como dançam? Não posso explicar, só consigo rir, sempre, a noite toda. Adoro.


 Com sono? Sim, já. Mas ainda são 4h30, 5h. Hora de ir a La Punta. Ah não! Meu corpo não aguenta! Aguenta sim! Vamos! Caminhadinha até a Supersonic, outra discoteca, mas mais lejos do centro, de tudo. Música chata. Perfeito não ter que pagar pra entrar. Bora ver a discoteca ao lado. Aki te quiero. Sim, aqui te quero sim. Música boa, música pra dançar. Mais? Mais. Até o chão, com mais vontade. Chão, chão, chão. Cansou? Pausa no lado de fora. Os bancos nos esperam, sabem que precisamos deles. Polícia sempre perto, porque com eles é mais seguro né Hugo?


 Ouço um barulho. É meu estômago. Sempre ele. Ainda não inventaram relógio melhor. Avisa que já são 5h30 e que eu não posso mais. Ah não, fica aí. Não posso. Tenho fome, tenho sono, tenho frio. Ok, hasta mañana. Hasta. Karine vai comigo, também já não pode mais. Na volta, mais fotos. Sempre sempre! Foto pra cada momento, pra cada olhar, pra cada segundo. Segundos únicos e eternos. Que vou me lembrar pra sempre. Fotos, fotos. Saudade do que ainda nem veio, saudade do que já foi. Um mês. Um mês fora de casa, fora do país. Um mês dentro de uma vida nova, uma experiência única, um momento raro. Que eu não vou esquecer nunca, que eu vou viver pra sempre.


 Hasta luego. 

Madrid

Hola.

Cheguei em Madri depois de 10 horas de viagem. To usando uma máquina bizarra pra postar aqui. 2 euros = 25 min. Já tenho mil coisas pra contar, mas esse teclado é de ferro (aço? sei lá) e a barra de espaço é quase um exercício de biceps (queria usar uma hashtag mas nao tem a tecla jogo da velha. mas pelo menos ja tem carinha feliz e triste pronta :-)) agora vou pq ta acabando o tempo, acho, depois explico o pq do acho hehe

beijos de madrid

Ficadica

Ainda tô na fase compras-pra-viagem. Na hora de escolher a mochila fiquei em dúvida quanto ao tamanho, não sabia se levava a de 30 e poucos ou a de 50 litros. Mas a mochila, por enquanto, é o de menos. Antes, preciso saber pra onde vou, né?

Então, tô pensando em fazer 2 mochilões. Um pela Europa, e outro pela Espanha, incluindo nesse Portugal e Marrocos (dica do Faraó). Fui buscar no mapa os países que eu gostaria de conhecer. Pensei em Alemanha, Holanda, França, Itália, Inglaterra e Rep. Tcheca. Se der, talvez Irlanda e os países que tô chamando de “países do meio”, como Bélgica, Suíça e Áustria (chamo assim porque eles ficam no meio dos países principais, tipo “no caminho”). 

Mas não sei se vou ter o dinheiro brilho todo necessário, então tô recorrendo à vocês, meus amores, sugestões “ficadica” de cidades que vocês acham que valha a pena conhecer, ou que eu não posso deixar de conhecer de jeito nenhum. 

Claro que esse meu roteiro é o “roteiro ideal”, dos sonhos, provavelmente não é só querer conhecer, tem que ver também se vou ter onde ficar, se vai ter passagem, etc. Mas, por enquanto, não tá custando nada sonhar, então deixem aí nos comentários as sugestões e, se for o caso, dicas comofas pra que esse mochilão saía do papel.

besos desde Jaraguá.

hasta ;*

Andale

Hoje é pra ser um dia legal. Dia de compras. Seria mais legal se fosse compra de sapato. Mas, não, na verdade não. Hoje vou comprar minha mochila que vai me acompanhar around the Europe. Comprar suéter também, algumas calças e o principal: um pijama quentinho (espero que um da Malwee, né Flávia? haha).

E na parte burocrática, minha reserva de hostel já foi ajustada, vou chegar um dia depois do que tinha sido combinado porque a passagem no dia seguinte era mais barata (nunca vou entender essas coisas de preço de passagem aérea). Meu cartão de crédito internacional também já está encaminhado, mas nem faço idéia de quando deve chegar. Daí o que falta é arrumar as datas do seguro de saúde e descobrir se vale a pena comprar um Europasse ou deixar pra ver isso lá mesmo. 

Sei que serão só cinco meses, mas tô com um apertozinho no peito e sem fome (logo eu, a mini draga). Saudade de tudo e todos já. 

España, baby!

Hola mis amores!

Como todos sabem, em setembro estou indo pra Cádiz. Até lá, estou de volta a Jaraguá do Sul, revivendo as emoções de morar novamente com a família (viva a geladeira cheia!)

Mas pra não morrer de tédio até o dia 12, criei esse blog pra dividir com vocês os arranjos finais pra viagem. Falta comprar mala, arranjar um cartão de crédito internacional, turbinar o espanhol, desbravar o Google Maps e por aí vai.

Abrirei o blog pra sugestões de roteiros. Quero dicas de cidades/bizarrices que são obrigatoriedade pra todos que vão pra Europa. Vale dica de comida, lugar, bebida, festa, galera e graus (essa é só pra quem domina o macaquês). 

Bueno pues (como diria meu pai), é isso por hoje.

Hasta el proximo post.